"Ao fim das crônicas conheça os poemas do autor"

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sábado, 17 de outubro de 2009

ISSO É PROVA DE AMOR

A acadêmica Neiva Fernandes, que é presidente da União Brasileira de Trovadores, seção Campos, de vez em quando manda para o meu e-mail um bonito texto colhido da internet. Desta vez, ela me enviou uma mensagem sublime, porém chocante! São fotos e comentários sobre casamento de Katie: um Love Story, desses que vez em quando tomamos conhecimento, acontecem nos Estados Unidos, e tem tudo para virar filme de sucesso:
O referido e-mail conta a história de Katie, uma paciente terminal de câncer que, cadavérica, mas ricamente produzida, casa-se aos vinte um anos com o jovem Nick, de vinte e três. Com todo cerimonial, festa e alegria que requer um ato desse tipo numa rica família americana. Apenas uma coisa diferenciava Katie das noivas normais: ao lado do seu vestido de grife estava um tudo de oxigênio, que a mantinha viva, garantindo-lhe momentos mais suportáveis. Infelizmente, nem toda riqueza proveniente dos seus pais prolongaram a vida daquela inusitada noiva que falece 5 dias após o casamento...
Um ou outro leitor poderá criticar a morbidez do assunto. Por isso eu já vou respondendo: a vida não é feita só de momentos alegres, e acontecimentos trágicos acontecem também aos jovens, como neste caso. Quem já perdeu parente para esta terrível doença sabe o quanto é terrível essa realidade...
O autor do e-mail sobre o casamento de Katie, que pede para repassar, alivia um pouco o clima pesado, concluindo com este belo poema:
" A felicidade sempre está ao alcance,
Dure enquanto dure,
Por isso devemos deixar de complicar as nossas vidas.

A vida é curta, portanto
Trabalhe como se fosse seu primeiro dia.
Perdoe rapidamente;
Beije demoradamente;
Ame verdadeiramente;
Ria incontrolavelmente;
E nunca deixe de sorrir;
Por mais estranho que seja o motivo.
A vida pode não ser a festa que esperamos,
Mas enquanto estamos aqui, devemos sorrir e agradecer".

sábado, 10 de outubro de 2009

DIA DAS CRIANÇAS

Cenário: sala de estar do apartamento de uma família média alta.
Personagens: Mãe; Izabella, filha, de 8 anos; e Romarius, filho, de 7.
Ato único.

O que a garota Izabella, que já possui o baton, o himel, o estojo de maquiagem, a sandalinha, a bolsinha, as botinhas, a maria-chiquinha, a camisetinha, o dvdzinho, tudo da linha “X” altamente divulgada, e que concede status à menininha mais simples, gostaria de receber de presente no Dia da Criança? Interrompendo a leitura da sua revista favorita, “Bocas”, a mãe volta a insistir com a filha:
- Então, filha, vai querer a boneca mesmo, não é?...
- Bo-neeee-ca?! Mas... nem pensar! Quero é me inscrever no curso de modelo. Ou, então... no de estrelinha de novela!
A mãe, que costuma embelezar a filhinha com o baton, o himel, o estojo de maquiagem, a sandalinha, a botinha, a Maria-chiquinha, a camisetinha, tudo da linha “X”, se espanta:
- Mas, minha filha! Você ainda não tem idade!...
- Se não for possível, então eu quero é uma roupa indiana para a dança do ventre, igual a das meninas da novela, e um CD com as músicas. Se liga, mãe! “Boneca” tá por fora!...
- Oh, Deus!... E o meu querido “Rominha”, vai querer a bola que viu naquela vitrine?
Rominha é o apelido familiar do filho Romárius. Ele, que já possui a bola do time, a camisa do time, o calção do time, o tênis do time, o álbum do time, o caneco do time, a mochila do time, o caderno do time, o estojo do time, o lápis do time, a borracha do time; já visitou até a sede do time, quando foi ao Rio, foi taxativo:
- Quero um celular igual ao do David!
- Mas, o celular David o pai dele trouxe dos Estados Unidos, filho. E você, não já tem um?
- Mas não faz o que o do David faz! (uma pausa) Então, o Laptop!
- Você é muito novo para um Laptop!...
- Pronto: um computador. Mas, só pra mim!
- Computador? Só pra você?...
- Isso mesmo. Todo amigo meu tem computador no seu quarto. Já dei a lista que você pediu. Agora, é você quem decide!...
A mãe, já quase entrando em desespero:
- Meus filhos, ouçam bem: quando sua mãe era criança...
- Ih, mãe, sem essa de sermão, tá?! (para o irmão) Ela agora deu pra fazer sermão... igual ao pastor da televisão.
- Tá bom... tá bom... Hoje, que é dia da visita do seu pai, vou falar pra ele o que vocês querem ganhar...
- Se vier com uma bola, eu dou um bico pela janela! Tô avisando!
- E, se trouxer uma boneca, eu pego a faca do churrasco e esquartejo ela todinha, boto no saco e deixo na lixeira, igual o cara fez com a mulher na televisão...

CAI O PANO.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

FRENTE A FRENTE

Frente a Frente!!! A vinheta informa que está entrando no ar o último quadro do programa do comunicador campista Nilson Maria, pela Radio Absoluta de Campos. Depois dos quadros que falam do dia-a-dia, das noticias da TV, e do Encontro de Corações, ele encerra o seu programa vespertino com o quadro Frente a Frente, em que debatedores discutem assuntos importantes ou curiosos do dia. O número de participantes é variável. Vai do máximo de seis ao mínimo de um, quando, nervoso, o apresentador tem que se virar para dar conta do quadro, reclamando dos que “esnobam o fabuloso salário oferecido”...
Naquela segunda, Nilson Maria dá inicio a mais um Frente a Frente:
- Hein, professor Marcelo, qual a sua opinião sobre o assunto?... O professor, como de costume, inicia sua fala cumprimentando a todos: Boa tarde, Nilson Maria, Boa tarde, Dr. Carlos Alberto, Boa tarde, Dr. José Gurgel, Boa tarde, Dr. Ivan Granato, Boa tarde Nino Bellienny, Boa tarde ouvintes. Bom, eu acho... e dá a sua opinião sobre o tema. O apresentador vai em frente, querendo saber a opinião dos demais. Raramente ocorre unanimidade nas respostas. E, é essa diversidade de opiniões, muitas vezes acaloradas, que dá charme ao quadro.
Num intervalo, depois de debaterem entre outros temas, sobre as cotas nas universidades, o Dr. Carlos Alberto “Redondo”, do alto dos seus 70 anos, faz uma revelação:
- Vou fazer faculdade de jornalismo...
- Mas... como, doutor? Pergunta surpreso, ou por provocação, um dos debatedores.
- Vou! Vou sim! Enquanto tiver disposição e vontade de aprender, vou estudar!... Não vou ficar parado, não!...
Nino, que além de debatedor, também atua na mesa de operação, faz sinal para o apresentador do programa, informando que a última propaganda daquele intervalo está rodando e o som sendo reaberto para os debatedores. Como a conversa em torno do Dr. Redondo continuasse, Nilson apela, gritando:
- Gente, o programa está recomeçando! E, mais forte: Silêncio!!!
A próxima rodada de perguntas é iniciada por Nino Bellienny. De vez em quando algum debatedor manda abraço, dá aviso ou conta algo curioso. Naquele dia foi a vez de Nino narrar a aventura ocorrida com ele na sexta-feira à noite: ele e Gurgel, saindo do programa, foram assistir ao show de Elisa Lucinda, no teatro. Ao final, esperou a esposa que viria apanhá-los. No entanto, um defeito no carro obrigou-a a parar em frente ao Mercado Municipal. Resumo da ópera: Nino e Gurgel chegando ao local tiveram de empurrar o carro até onde as forças deram... A sorte é que o motorista do táxi que o casal tomou de volta para a casa, e que acabou reconhecendo a voz do radialista Nino, com seu vasto conhecimento, resolveu o problema mecânico do carro.
Naquela segunda-feira, em meio aos acalorados debates do Frente a Frente, a cidade tomou conhecimento da inusitada aventura vivida por Nino e sua esposa, mais Gurgel, em meio a uma Campos quase deserta, na primeira hora de uma fria madrugada...

sábado, 26 de setembro de 2009

PODE!... E NÃO PODE!...

Vou me valer do chavão que a comediante Fabiana Karla utiliza com muita graça no programa Zorra Total: ...Pode!!! e ...Não pode!!!
1 - Aumentar o número de vereadores do Brasil de 51.748 para 59.791... PODE!!!
2 - Aumentar o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, de R$ 24.500,00 para 25.723,13... PODE!!!
3 - Atualizar o rendimento do aposentado pelo INSS que ganha acima de 1 salário mínimo, pelo valor que começou a receber quando foi aposentado... NÃO PODE!!!
Tomei esses três fatos como ilustração, da mesma forma que poderia utilizar-me de tantos outros que a todo instante o governo ou seus representantes agem para beneficiar grupos, classes, políticos ou partidos, deixando sempre o povo relegado a segundo plano.
Na novela “Senhora do Destino” Flavio Migliaccio faz um aposentado que padece de alucinações por dois motivos: primeiro, por conta da “sua” morenaça (Elisangela), que morreu e que ele julga que vai reencontrá-la a qualquer momento. Segundo, por conta da sua aposentadoria. Como o personagem, o brasileiro aposentado que recebe acima de 1 salário mínimo, de certa forma, também padece dessa alucinação: distúrbio emocional proveniente da frustração de assistir anualmente à desvalorização da tão sonhada aposentadoria.
Quando se está no poder, a pessoa pode conceder aumentos à sua vontade, beneficiando mais aquele que poderá lhe dar algo em troca, e punindo, injustamente, aquele que não obstante o que já fez pelo país, hoje já não tem muito a oferecer... Os ministros do Supremo Tribunal Federal que já não ganham pouco, foram beneficiados com mais um aumento, o que fatalmente fará com que ocorram reajustes em cascata até o mais simples funcionário de um cartório de justiça. Sem contar os outros poderes que, também exigirão equiparação salarial...
É de se estranhar também o empenho dos nossos parlamentares no sentido de brigar pelo aumento do número de vereadores do país que, na maioria das vezes, nada fazem a não ser aprovar as contas do executivo municipal, conceder comendas e usufruir de benesses.
A real situação do aposentado brasileiro é bem diferente do humor da nossa televisão. Pois, enquanto nesta o “PODE!... NÃO PODE!...” dá prazer, provoca risos, na insensível e muitas vezes cruel realidade do governo o mesmo tema pode causar dores e sofrimentos a quem honestamente cumpriu a sua parte como cidadão brasileiro! E, para um governo adepto ao “toma lá dá cá”, chegado a uns conchavos e que protege Sarney, Dilma e outros do mesmo nível, e que trata o aposentado de maneira severa, dura, como se este fosse responsável pela bandalheira e pela farra com o dinheiro público, só me resta, revoltado, dizer... NÃO PODE!!!

sábado, 19 de setembro de 2009

AFRO-DESCENDENTES

Está claro que os tempos são outros: temos negros na corte maior da nossa justiça, no Congresso e no Ministério. Mas houve um tempo em que o negro de maior destaque no país era um comediante, Grande Otelo. Depois, numa amplitude maior, já que atingia o lado internacional, conhecemos Léa Garcia, Lourdes de Oliveira, Breno Mello e outros artistas afro-descendentes que, pelas mãos de Vinicius de Moraes, autor da adaptação do drama de Orfeu para o cenário carioca, estrelaram o premiado filme “Orfeu do Carnaval”. A atriz e cantora Zezé Mota também foi destaque neste cenário, com sua interpretação em “Xica da Silva”. Hoje, graças à luta dos artistas negros no país, podemos assistir ao talento e à beleza de Taís Araújo, em núcleo de novela (que não é mais o de empregados domésticos!) na vitrine mais importante do país que é a novela das 9,00 da Globo.
Todos nós sabemos que, depois da Abolição, os negros não tiveram por parte do governo o apoio dado a estrangeiros para iniciarem nova vida. Em conseqüência, tiveram que buscar sobrevivência nas cidades, inchando-as, dando origem às famosas, mas humilhantes favelas.
Durante anos os negros tiveram boas chances em apenas dois setores: no samba e no futebol, deslumbrando os espectadores do Brasil e do mundo! Pareciam ser essas as suas únicas opções profissionais, já que era fácil conseguir bons dólares através de suas performances...
Mas, a inteligência negra aliada à sua luta, demonstraram que o jovem pode tornar-se excelente profissional em qualquer área. Através do ensino, principalmente do médio, onde a Escola Técnica, Sesi, Senac e outros órgãos, tem produzido mão-de-obra qualificada que resulta em bons salários. Evidentemente, havia os que sonhavam com campos mais avançados como os centros cirúrgicos, os tribunais, etc. o que só era possível a custa de sacrifício redobrado...
Numa crônica do meu livro “A Ponte” eu falo de uma nova realidade entre os afro-descendentes, onde alguns dos seus membros desfilam carro último tipo, freqüenta shoppings, tem laptop e buscam a melhor educação para seus filhos... devido principalmente, aos bons salários que recebem como funcionários da Petrobrás, principalmente. Lembro a Petrobrás porque a proximidade que temos com as plataformas petrolíferas, nos leva a conhecer o dia-a-dia de muitos profissionais residentes em Campos. Daí ter produzido a citada crônica...
A página de hoje surgiu em razão do debate no Congresso sobre vagas para negros em universidades. Tão inteligentes e competentes quanto os brancos, está comprovado que eles são... Por isso, talvez nem fosse preciso uma lei que trouxesse esse benefício. Mas, a dívida que os governantes da época da Abolição legaram à população afro-descendente foi tão grande que, por mais discutível que possa parecer uma lei que venha beneficiar os seus descendentes, ela será uma lei justa!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

UM EPISÓDIO LAMENTÁVEL

O episódio envolvendo Nelsinho Piquet que bateu o seu carro numa corrida de Fórmula-1 do ano passado para favorecer o seu companheiro de equipe na Renault me deixou, como brasileiro, bastante constrangido. Esse rapaz beneficiado com a fama conseguida por seu pai, não precisava se envolver num escândalo de tamanha proporção! Com a sua entrada num grupo tão restrito já facilitada, não precisava mais do que talento (comprovado com o seu retrospecto em outras fórmulas), garra (também comprovada) e... paciência. Só isso! O tempo se encarregaria do restante.
Na minha juventude, não havia tantos brasileiros fazendo sucesso nos esportes lá fora. Lembro-me de Maria Ester Bueno, tenista campeã por diversas vezes em Wimbledon; de Éder Jofre, grande campeão do boxe; de Ademar Ferreira da Silva, campeão olímpico, único brasileiro a conseguir duas medalhas individuais em Olimpíadas... todos, comprovadamente, vencedores por seus próprios méritos. Assim como os automobilistas Emerson Fittipaldi, Nélson Piquet, e Airton Senna que mais tarde, com muita luta triunfariam na Fórmula Um.
Em 1958, na Suécia, os bons ventos começavam a soprar para o nosso país. Nesse ano o Brasil se tornou campeão mundial de futebol. Título conseguido com talento, garra e paciência. O dinheiro fácil só faria a cabeça dos jogadores anos mais tarde pois, ainda em 1962, quando fomos bi-campeões no Chile, Garrincha conheceu a fama, mas chegou tarde para a fortuna e morreu pobre.
Depois, veio a consagração de ídolos isolados (Nélson e Rodrigo Pessoa, Torben e Lars Grael, Popó e Guga) e dos times brasileiros de basquete, vôlei, vôlei de praia, futebol de salão, de praia, etc., sempre com atletas com talento, garra e muita luta. Acredito que faltaram essas qualidades ao filho do grande corredor Nelson Piquet.
Infelizmente, vivemos num país onde não existem maiores referências morais. Os nossos dirigentes são os primeiros a dar maus exemplos. Um percentual muito grande deles encontra-se envolvido em corporativismo, “toma lá, dá cá”, maracutaias... A famosa Lei de Gérson (que ao fim de uma antiga propaganda televisiva, dava um sorriso meio “cínico” e dizia: “Gosto de levar vantagem em tudo. Certo?”) parece continuar em pleno vigor, o que não traz nenhum benefício à mente do jovem que busca o seu caminho.
Felizmente, por educação ou por índole, mesmo num meio adverso, os nossos jovens vão à luta! Já faz algum tempo que eles, em nome do desenvolvimento, como modernos bandeirantes, deixavam a sua casa e partiam para tomar posse numa agência qualquer do Banco do Brasil, nos confins do país; hoje, como bravos pioneiros, trabalham em alto mar para produzir petróleo e gerar divisas para a Nação; não esquecendo o que as nossas Forças Armadas enfrentam para garantir a nossa segurança. Em razão de atitudes positivas como essas, ainda é possível acreditar no futuro deste país. Mas, não assistindo a espetáculos grotescos como esse do Nelsinho Piquet...