Pelos meus filhos e neto... pelos filhos e netos de todo brasileiro, da grande cidade ao rincão mais distante... não posso me omitir!
Especialmente porque estamos na véspera do Natal, festa máxima da cristandade, época em que costumam estar mais presente entre os homens os sentimentos de Fraternidade, Amor, Paz, Saúde, Tranquilidade, Harmonia e Felicidade – sentimentos estes que elevam a auto estima de cada um mas que, nos dias atuais, encontram-se difíceis de ser encontrados em qualquer parte do nosso conturbado planeta.
Estamos assistindo, através dos meios de comunicação, a uma crise financeira mundial sem precedentes em que os países ricos (Estados Unidos e Europa) se esforçam na busca de uma solução e “desovam montanhas de euros e dólares” das suas reservas, na ajuda aos seus pares. O Brasil aparentemente confortável em relação à crise financeira vive, porém, uma crise moral sem precedentes. Como se um grande tumor que tivesse sido lancetado, Brasília cheira a podridão com seus escândalos que vêm à tona diariamente...
Ministros e outras figuras influentes do governo caem como se fossem um gigantesco dominó da corrupção. E, ainda, certos da impunidade que obterá junto aos seus pares nas mais importantes casas parlamentares do país e pela Legislação Brasileira, mentem descaradamente ou fazem gracinha com a Presidente da República que, aparentemente, sabedora das falcatruas dos subordinados, muitas vezes titubeia na hora de puni-los, de dispensá-los...
Por outro lado, a segurança do país, parece padecer de um grande câncer que caminha celeremente para uma cruel metástase, deixando perplexo o cidadão que já padece com a saúde precária, a educação ameaçada (literalmente!) e vê, diariamente, escândalos envolvendo figuras influentes do governo envolvidas em atos delituosos, como se isso fosse a regra e não a exceção...
Se, grande parte dos nossos representantes se aproveitam da corrupção aliada à impunidade, o jovem brasileiro na maioria das vezes, só a custa de esforço hercúleo consegue uma profissão digna, os outros com poucas perspectivas, afundam-se nas drogas... A mulher brasileira que se desdobra para manter financeiramente a casa assiste aos filhos se drogarem (patrocinando, assim, o crime!) ou serem aliciados pelo próprio mundo do crime, para serem seus soldados e virarem manchete policial a qualquer hora!...
Difícil, muito difícil a situação do cidadão brasileiro. Assistir ao drama dos avós morrendo na porta de hospitais; dos filhos eliminados por cobrança de traficantes ou das milícias; das irmãs ou filhas, como prostitutas de luxo, por ser o meio mais fácil de ascender na vida; das adolescentes alucinadas oferecendo-se para ser mãe dos filhos de Neymar ou de Luan Santana; e, finalmente, da televisão mostrando que, no Brasil, está tudo normal... “Todo mundo ta feliz”!!!
Que o Menino Jesus que veio para nos salvar, tenha piedade de nós, e, vislumbrando o futuro do nosso país, nos livre de tantos elementos perversos (muitos deles nossos legítimos representantes!) que contribuem para que o resultado seja esta sociedade tão desigual e injusta como essa que conseguiram construir para nós, cidadãos brasileiros!
"Ao fim das crônicas conheça os poemas do autor"
...
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
sábado, 19 de novembro de 2011
A CHEGADA DE “MARCOS”
Caro amigo Caby,
Aqui estou eu novamente para parabenizá-lo pela coluna “Marcos”. A princípio, confesso, fiquei em dúvida se se tratava de mais um colunista do seu Blog (que já dispõe dos ótimos Caby, Emeri e Borjão, ou se era uma coluna para elevar o nome de pessoas, fatos ou lugares que um dia marcaram a terra de Santa Luzia. Cheguei à conclusão de que a segunda opção é mais real.
Fiquei feliz por me deparar com pessoas do meu tempo de Mossoró, como Jorge Ivan, Canindé Alves, Padre Sátiro, Laurinete... a propósito da legenda da bela miss Rio Grande do Norte, que apesar de não eleita causou grande sucesso naquele ano na eleição de Miss Brasil, eu pergunto: não teria sido Silveirinha Soares a primeira candidata de Mossoró a ser eleita Miss Rio Grande do Norte? Ou estou enganado? Acredito que não. Porque naquele tempo Concurso de Miss era o principal assunto da sociedade local... A propósito, eu estudava no Colégio Diocesano quando Teresinha Morango, Miss Brasil de (?) passou por aí, causando um tremendo rebuliço na escola quando, no dia seguinte à sua apresentação na cidade, o apresentador Jorge Ivan, a caminho do aeroporto com a miss, resolveu fazer uma parada no colégio dos padres... colégio por sinal já àquela altura, dirigido pelo dinâmico Padre Sátiro
Outro de quem guardo boas recordações é o Canindé Alves que era “pau para toda obra”, na Tapuyo, onde atuei com o amigo Wilson Bezerra, no programa “A voz do Estudante”, fazendo redação e locução. Depois, trabalhei como locutor da rádio e como colunista do Diário de Mossoró. Mas, o dia da partida já estava se aproximando e ficou tudo como boas experiências.
Como temas para os próximos MARCOS, sugiro que sejam lembrados: a badalada Churrascaria O Sujeito, o Cine Pax, as Caixas D’agua, o professor Solon Moura, a União Caixeiral hoje corretamente transformada em Biblioteca Municipal, a cadeia, importante museu municipal. E, figuras como: o fotógrafo Manuelito cujas lentes registraram para a posteridade figuras como Pedro da Rabeca, Manoel Cachimbinho, Padre Mota. Outras sugestões: Padre Humberto (com o seu folclore!), Alto Louvor com suas mulheres (porque não? se hoje em dia, prostitutas, garotas de programa, etc... são grandes atrativos em programas de rede nacional. O jornaleiro Luiz que trazia notícias de jornal apenas à noite, depositando e distribuindo seus volumes recém-chegados na calçada do cinema Pax. Os grandes cortejos fúnebres que saiam da Catedral, acompanhados até o final por badaladas melancólicas...
Os circos que nos visitavam. Os blocos carnavalescos, e os times de futebol. Não sei se estou sendo egoísta ao pedir “notícias”da Mossoró do meu tempo, tempo que nem pavimento havia nas ruas do centro e em que as famílias iam para as calçadas conversar e pegar um pouco do Vento Nordeste que só costumava chegar à noitinha.
Amigo Cabi, devido ao sentimentalismo que fui acometido ao comentar a novidade do seu Blog, MARCOS, resgatando imagens de outrora, informo que vou utilizar também esses comentários como crônica do “paineldogurgel”, uma vez que os bons assuntos da atualidade, são somente corrupção, e a Rocinha, com sua guerra, suas misérias e, não dá para escrever mais com essas tristezas do nosso cotidiano... Receba o meu abraço. José Gurgel dos Santos
Aqui estou eu novamente para parabenizá-lo pela coluna “Marcos”. A princípio, confesso, fiquei em dúvida se se tratava de mais um colunista do seu Blog (que já dispõe dos ótimos Caby, Emeri e Borjão, ou se era uma coluna para elevar o nome de pessoas, fatos ou lugares que um dia marcaram a terra de Santa Luzia. Cheguei à conclusão de que a segunda opção é mais real.
Fiquei feliz por me deparar com pessoas do meu tempo de Mossoró, como Jorge Ivan, Canindé Alves, Padre Sátiro, Laurinete... a propósito da legenda da bela miss Rio Grande do Norte, que apesar de não eleita causou grande sucesso naquele ano na eleição de Miss Brasil, eu pergunto: não teria sido Silveirinha Soares a primeira candidata de Mossoró a ser eleita Miss Rio Grande do Norte? Ou estou enganado? Acredito que não. Porque naquele tempo Concurso de Miss era o principal assunto da sociedade local... A propósito, eu estudava no Colégio Diocesano quando Teresinha Morango, Miss Brasil de (?) passou por aí, causando um tremendo rebuliço na escola quando, no dia seguinte à sua apresentação na cidade, o apresentador Jorge Ivan, a caminho do aeroporto com a miss, resolveu fazer uma parada no colégio dos padres... colégio por sinal já àquela altura, dirigido pelo dinâmico Padre Sátiro
Outro de quem guardo boas recordações é o Canindé Alves que era “pau para toda obra”, na Tapuyo, onde atuei com o amigo Wilson Bezerra, no programa “A voz do Estudante”, fazendo redação e locução. Depois, trabalhei como locutor da rádio e como colunista do Diário de Mossoró. Mas, o dia da partida já estava se aproximando e ficou tudo como boas experiências.
Como temas para os próximos MARCOS, sugiro que sejam lembrados: a badalada Churrascaria O Sujeito, o Cine Pax, as Caixas D’agua, o professor Solon Moura, a União Caixeiral hoje corretamente transformada em Biblioteca Municipal, a cadeia, importante museu municipal. E, figuras como: o fotógrafo Manuelito cujas lentes registraram para a posteridade figuras como Pedro da Rabeca, Manoel Cachimbinho, Padre Mota. Outras sugestões: Padre Humberto (com o seu folclore!), Alto Louvor com suas mulheres (porque não? se hoje em dia, prostitutas, garotas de programa, etc... são grandes atrativos em programas de rede nacional. O jornaleiro Luiz que trazia notícias de jornal apenas à noite, depositando e distribuindo seus volumes recém-chegados na calçada do cinema Pax. Os grandes cortejos fúnebres que saiam da Catedral, acompanhados até o final por badaladas melancólicas...
Os circos que nos visitavam. Os blocos carnavalescos, e os times de futebol. Não sei se estou sendo egoísta ao pedir “notícias”da Mossoró do meu tempo, tempo que nem pavimento havia nas ruas do centro e em que as famílias iam para as calçadas conversar e pegar um pouco do Vento Nordeste que só costumava chegar à noitinha.
Amigo Cabi, devido ao sentimentalismo que fui acometido ao comentar a novidade do seu Blog, MARCOS, resgatando imagens de outrora, informo que vou utilizar também esses comentários como crônica do “paineldogurgel”, uma vez que os bons assuntos da atualidade, são somente corrupção, e a Rocinha, com sua guerra, suas misérias e, não dá para escrever mais com essas tristezas do nosso cotidiano... Receba o meu abraço. José Gurgel dos Santos
terça-feira, 25 de outubro de 2011
ADMIRAÇÃO E ALGUNS CONSELHOS
Minha cara leitora...,
Devo confessar que seus textos bem produzidos causaram-me uma bela surpresa. Sinto, no entanto, você ansiosa por divulgá-los... o que, na minha opinião, é natural a todos aqueles que amam escrever. Por isso, vou passar um pouco da minha experiência nesta arte. No meio jornalístico, principalmente. A minha vivência como cronista (dois jornais em Campos, 3 anos de INTERNET, ensinou-me que a simplicidade na utilização das palavras é essencial, por mais complexo que seja o tema. O leitor, em geral, não se identifica com um autor que opta pelo rebuscamento, com palavras que pedem a utilização constante de um dicionário. Não. Escrever não é mostrar (ou querer mostrar!) esnobismo ou erudição. Por outro lado, a mensagem deve ser bem cuidada, revista quantas vezes forem necessárias. Muitas vezes, uma simples palavrinha que você esqueceu de deletar, ou de substituir corretamente, vai gerar uma grande diferença no contexto. Daí, a necessidade de cuidar bem do ofício pelo qual você optou, revendo com carinho os textos produzidos...
Você, como mulher, sabe perfeitamente o valor de um bom acessório, não é verdade? A combinação correta da pulseira ou do colar com o traje que você escolheu... A pintura, tão importante no cotidiano da mulher atual, também pode servir de exemplo. Assim é um belo texto: uma boa idéia, com complementos corretos (adjetivos, sinônimos, figuras de linguagem, etc.) que contribuirão para o todo. Ter cuidado para não adjetivar tudo o que encontre pela frente, é muito importante... como também é importante, sempre que possível, usar frases curtas. Torna o texto mais ágil, além de não confundir o leitor.
Gostei dos textos que você me apresentou. Talvez, na ânsia de apresentar as suas idéias, você se estenda um pouco nas descrições. Mas, nada que tire o seu valor. Persista na produção dos mesmos. A ferramenta adequada para a construção, você possui: o seu ótimo conhecimento da língua. Agora é colocar "mãos à obra", com coragem e determinação... Como em todo começo, baseando-se em determinada opinião ou no seu próprio julgamento, o autor pode achar que o resultado não foi o esperado. Mas, não desanime! A coisa funciona assim mesmo para quem se aventura a escrever no Brasil. Como já descobri a sua persistência, a sua garra, imprescindíveis para quem resolve escrever, não vejo como você não ser bem sucedida nesse novo ofício.
Receba os meus sinceros votos de sucesso!
Devo confessar que seus textos bem produzidos causaram-me uma bela surpresa. Sinto, no entanto, você ansiosa por divulgá-los... o que, na minha opinião, é natural a todos aqueles que amam escrever. Por isso, vou passar um pouco da minha experiência nesta arte. No meio jornalístico, principalmente. A minha vivência como cronista (dois jornais em Campos, 3 anos de INTERNET, ensinou-me que a simplicidade na utilização das palavras é essencial, por mais complexo que seja o tema. O leitor, em geral, não se identifica com um autor que opta pelo rebuscamento, com palavras que pedem a utilização constante de um dicionário. Não. Escrever não é mostrar (ou querer mostrar!) esnobismo ou erudição. Por outro lado, a mensagem deve ser bem cuidada, revista quantas vezes forem necessárias. Muitas vezes, uma simples palavrinha que você esqueceu de deletar, ou de substituir corretamente, vai gerar uma grande diferença no contexto. Daí, a necessidade de cuidar bem do ofício pelo qual você optou, revendo com carinho os textos produzidos...
Você, como mulher, sabe perfeitamente o valor de um bom acessório, não é verdade? A combinação correta da pulseira ou do colar com o traje que você escolheu... A pintura, tão importante no cotidiano da mulher atual, também pode servir de exemplo. Assim é um belo texto: uma boa idéia, com complementos corretos (adjetivos, sinônimos, figuras de linguagem, etc.) que contribuirão para o todo. Ter cuidado para não adjetivar tudo o que encontre pela frente, é muito importante... como também é importante, sempre que possível, usar frases curtas. Torna o texto mais ágil, além de não confundir o leitor.
Gostei dos textos que você me apresentou. Talvez, na ânsia de apresentar as suas idéias, você se estenda um pouco nas descrições. Mas, nada que tire o seu valor. Persista na produção dos mesmos. A ferramenta adequada para a construção, você possui: o seu ótimo conhecimento da língua. Agora é colocar "mãos à obra", com coragem e determinação... Como em todo começo, baseando-se em determinada opinião ou no seu próprio julgamento, o autor pode achar que o resultado não foi o esperado. Mas, não desanime! A coisa funciona assim mesmo para quem se aventura a escrever no Brasil. Como já descobri a sua persistência, a sua garra, imprescindíveis para quem resolve escrever, não vejo como você não ser bem sucedida nesse novo ofício.
Receba os meus sinceros votos de sucesso!
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
DIA DA CRIANÇA
Cenário: sala de estar do apartamento de uma família média alta.
Personagens: Mãe; Izabella, filha, de 8 anos; e Romarius, filho, de 7.
Ato único.
O que a garota Izabella, que já possui o baton, o himel, o estojo de maquiagem, a sandalinha, a bolsinha, as botinhas, a maria-chiquinha, a camisetinha, o dvdzinho, tudo da linha “X” altamente divulgada, e que concede status à menininha mais simples, gostaria de receber de presente no Dia da Criança? Interrompendo a leitura da sua revista favorita, “Bocas”, a mãe volta a insistir com a filha:
- Então, filha, vai querer a boneca mesmo, não é?...
- Bo-neeee-ca?! Mas... nem pensar! Quero é me inscrever no curso de modelo. Ou, então... no de estrelinha de novela!
A mãe, que costuma embelezar a filhinha com o baton, o himel, o estojo de maquiagem, a sandalinha, a botinha, a Maria-chiquinha, a camisetinha, tudo da linha “X”, se espanta:
- Mas, minha filha! Você ainda não tem idade!...
- Se não for possível, então eu quero é uma roupa indiana para a dança do ventre, igual a das meninas da novela, e um CD com as músicas. Se liga, mãe! “Boneca”, tá por fora!...
- Oh, Deus!... E o meu querido “Rominha”, vai querer a bola que viu naquela vitrine?
Rominha é o apelido familiar do filho Romárius. Ele, que já possui a bola do time, a camisa do time, o calção do time, o tênis do time, o álbum do time, o caneco do time, a mochila do time, o caderno do time, o estojo do time, o lápis do time, a borracha do time; já visitou até a sede do time, quando foi ao Rio, foi taxativo:
- Quero um celular igual ao do David!
- Mas, o celular David o pai dele trouxe dos Estados Unidos, filho. E você, não já tem um?
- Mas não faz o que o do David faz! (uma pausa) Então, o Laptop!
- Você é muito novo para um Laptop!...
- Pronto: um computador. Mas, só pra mim!
- Computador? Só pra você?...
- Isso mesmo. Todo amigo meu tem computador no seu quarto. Já dei a lista que você pediu. Agora, é você quem decide!...
A mãe, já quase entrando em desespero:
- Meus filhos, ouçam bem: quando sua mãe era criança...
- Ih, mãe, sem essa de sermão, tá?! (para o irmão) Ela agora deu pra fazer sermão... igual ao pastor da televisão.
- Tá bom... tá bom... Hoje, que é dia da visita do seu pai, vou falar pra ele o que vocês querem ganhar...
- Se vier com uma bola, eu dou um bico pela janela! Tô avisando!
- E, se trouxer uma boneca, eu pego a faca do churrasco e esquartejo ela todinha, boto no saco e deixo na lixeira, igual o cara fez com a mulher na televisão...
CAI O PANO.
Personagens: Mãe; Izabella, filha, de 8 anos; e Romarius, filho, de 7.
Ato único.
O que a garota Izabella, que já possui o baton, o himel, o estojo de maquiagem, a sandalinha, a bolsinha, as botinhas, a maria-chiquinha, a camisetinha, o dvdzinho, tudo da linha “X” altamente divulgada, e que concede status à menininha mais simples, gostaria de receber de presente no Dia da Criança? Interrompendo a leitura da sua revista favorita, “Bocas”, a mãe volta a insistir com a filha:
- Então, filha, vai querer a boneca mesmo, não é?...
- Bo-neeee-ca?! Mas... nem pensar! Quero é me inscrever no curso de modelo. Ou, então... no de estrelinha de novela!
A mãe, que costuma embelezar a filhinha com o baton, o himel, o estojo de maquiagem, a sandalinha, a botinha, a Maria-chiquinha, a camisetinha, tudo da linha “X”, se espanta:
- Mas, minha filha! Você ainda não tem idade!...
- Se não for possível, então eu quero é uma roupa indiana para a dança do ventre, igual a das meninas da novela, e um CD com as músicas. Se liga, mãe! “Boneca”, tá por fora!...
- Oh, Deus!... E o meu querido “Rominha”, vai querer a bola que viu naquela vitrine?
Rominha é o apelido familiar do filho Romárius. Ele, que já possui a bola do time, a camisa do time, o calção do time, o tênis do time, o álbum do time, o caneco do time, a mochila do time, o caderno do time, o estojo do time, o lápis do time, a borracha do time; já visitou até a sede do time, quando foi ao Rio, foi taxativo:
- Quero um celular igual ao do David!
- Mas, o celular David o pai dele trouxe dos Estados Unidos, filho. E você, não já tem um?
- Mas não faz o que o do David faz! (uma pausa) Então, o Laptop!
- Você é muito novo para um Laptop!...
- Pronto: um computador. Mas, só pra mim!
- Computador? Só pra você?...
- Isso mesmo. Todo amigo meu tem computador no seu quarto. Já dei a lista que você pediu. Agora, é você quem decide!...
A mãe, já quase entrando em desespero:
- Meus filhos, ouçam bem: quando sua mãe era criança...
- Ih, mãe, sem essa de sermão, tá?! (para o irmão) Ela agora deu pra fazer sermão... igual ao pastor da televisão.
- Tá bom... tá bom... Hoje, que é dia da visita do seu pai, vou falar pra ele o que vocês querem ganhar...
- Se vier com uma bola, eu dou um bico pela janela! Tô avisando!
- E, se trouxer uma boneca, eu pego a faca do churrasco e esquartejo ela todinha, boto no saco e deixo na lixeira, igual o cara fez com a mulher na televisão...
CAI O PANO.
sábado, 1 de outubro de 2011
O ÉBRIO E OS VICIADOS EM CULTURA
A ACIC (Associação Comercial e Industrial de Campos, na comemoração dos seus 120 anos de existência, promoveu uma bonita festa no seu auditório, no 16º. andar do edifício Ninho das Águias, centro da cidade, com entrega de comendas e show com artistas locais.
Em razão dos últimos acontecimentos políticos envolvendo a prefeita e a justiça eleitoral, o Café Literário que aconteceria no CCAG (Centro Cultural Antony Garotinho) na última quinta-feira não foi realizado. deixando o nosso grupo, sempre ávido de diversão e cultura, buscando outras opções...
Diante do fechamento do CCAG nessa noite, restou àqueles que se encaminhavam para o Café Literário, dirigir-se ao imponente prédio da ACIC, no edifício Ninho das Águias, para assistir a um espetáculo comandado pelo ator Toninho Ferreira. E, quem lá esteve não se decepcionou. Às 21 horas, o som do local entra com a possante voz de Vicente Celestino interpretando a sua criação maior, “O Ébrio”. Logo em seguida, é a vez de Toninho Ferreira entrar em cena para interpretar o texto que, no disco, antecede à música. Confesso que me emocionei ao ver Toninho interpretando magistralmente as palavras com que Vicente Celestino preparava o público para a sua inesquecível criação. Simplesmente fantástico! Fez-me lembrar os antigos espetáculos que o Cine Pax, de Mossoró, promovia de vez em quando, com os monstros sagrados da nossa música ou do nosso teatro. De cara limpa, sem os andrajos que o grande tenor vestia para caracterizar o personagem, o ator conseguiu empolgar a platéia. Muitos dos que assistiam ao espetáculo, certamente, nunca ouviram falar em Vicente Celestino, nem das desventuras sofridas pelo personagem criado pelo grande tenor brasileiro, que empolgava multidões onde se apresentava, chegando a se apresentar nos maiores teatros, e ser adorado pelas classes mais influentes. Vem a sua decadência, motivada por traições e por mortes na família. É quando ele se entrega à bebida, acabando por levar vaias no picadeiro de circos miseráveis. Durante a interpretação, notei senhoras mais idosas levando o lencinho aos olhos, enxugando as lágrimas diante da magistral interpretação desse notável ator campista.
Se o espetáculo preparado pela ACIC para festejar a data, compreendesse apenas esse texto vivido pelo Toninho Ferreira, eu já estaria satisfeito. No entanto ainda havia outras boas surpresas, como a marcante interpretação de Adriana Medeiros para o seu poema “Amante” (ou seria “A Poesia”?), vencedor de um dos últimos concursos de poesia falada da FCJOL. Maria Fernanda, muito afinada desfilando pérolas da MPB, e Daniele Nunes em gostosos números musicais e belas declamações. Parabéns para a ACIC e sucesso para os autores do espetáculo.
Em razão dos últimos acontecimentos políticos envolvendo a prefeita e a justiça eleitoral, o Café Literário que aconteceria no CCAG (Centro Cultural Antony Garotinho) na última quinta-feira não foi realizado. deixando o nosso grupo, sempre ávido de diversão e cultura, buscando outras opções...
Diante do fechamento do CCAG nessa noite, restou àqueles que se encaminhavam para o Café Literário, dirigir-se ao imponente prédio da ACIC, no edifício Ninho das Águias, para assistir a um espetáculo comandado pelo ator Toninho Ferreira. E, quem lá esteve não se decepcionou. Às 21 horas, o som do local entra com a possante voz de Vicente Celestino interpretando a sua criação maior, “O Ébrio”. Logo em seguida, é a vez de Toninho Ferreira entrar em cena para interpretar o texto que, no disco, antecede à música. Confesso que me emocionei ao ver Toninho interpretando magistralmente as palavras com que Vicente Celestino preparava o público para a sua inesquecível criação. Simplesmente fantástico! Fez-me lembrar os antigos espetáculos que o Cine Pax, de Mossoró, promovia de vez em quando, com os monstros sagrados da nossa música ou do nosso teatro. De cara limpa, sem os andrajos que o grande tenor vestia para caracterizar o personagem, o ator conseguiu empolgar a platéia. Muitos dos que assistiam ao espetáculo, certamente, nunca ouviram falar em Vicente Celestino, nem das desventuras sofridas pelo personagem criado pelo grande tenor brasileiro, que empolgava multidões onde se apresentava, chegando a se apresentar nos maiores teatros, e ser adorado pelas classes mais influentes. Vem a sua decadência, motivada por traições e por mortes na família. É quando ele se entrega à bebida, acabando por levar vaias no picadeiro de circos miseráveis. Durante a interpretação, notei senhoras mais idosas levando o lencinho aos olhos, enxugando as lágrimas diante da magistral interpretação desse notável ator campista.
Se o espetáculo preparado pela ACIC para festejar a data, compreendesse apenas esse texto vivido pelo Toninho Ferreira, eu já estaria satisfeito. No entanto ainda havia outras boas surpresas, como a marcante interpretação de Adriana Medeiros para o seu poema “Amante” (ou seria “A Poesia”?), vencedor de um dos últimos concursos de poesia falada da FCJOL. Maria Fernanda, muito afinada desfilando pérolas da MPB, e Daniele Nunes em gostosos números musicais e belas declamações. Parabéns para a ACIC e sucesso para os autores do espetáculo.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
TRANSPORTE RODOVIÁRIO, TEM SAÍDA?
Não sei se foi a última, mas certamente a vigésima e tanto das viagens rodoviárias entre o Rio de Janeiro e o Nordeste, por mim efetuada, será provavelmente a mais marcante. Por que? Porque na volta (Natal/Rio) meditei bastante sobre o envelhecimento da minha família; fiz o esboço do que seria o meu primeiro romance; e, vendo os ônibus trafegando vazios ou quase vazios como estão, pensei muito naquele fenômeno que vem acontecendo com as viagens rodoviárias a longa distância, com a corrida em massa dos passageiros para os aeroportos...
São assuntos bem distintos: o primeiro, não tem como buscar soluções, a não ser entendê-lo como uma fase natural da vida! Já o segundo, há muito o que discutir. Por exemplo: Como entendermos que, a proporção que o tempo de viagem diminui (a minha primeira viagem Natal-Rio, nos anos 60, demorou 4 dias!) os passageiros desaparecem?... Hoje ela é feita, com relativo conforto, em 40 horas... é verdade que o avião faz o mesmo percurso em 4 horas apenas, sem paradas, sem o “frigorífico” que o ônibus se torna à noite que, de tão gelado, parece transportar carga de bois abatidos; sem banheiros que mais parecem brinquedos de choca-choca, a gente se desequilibrando, molhando a roupa toda... É verdade, tudo isso acontece nas longas viagens rodoviárias. Mas, tem coisas que não podem ser eliminadas, a não ser que surjam outras melhores. No caso, aqui, o trem-bala seria uma boa substituição, já pensou: Rio-Natal, no trem bala! Não acredito que chegarei a ver esse progresso no meu país...
Mas, enquanto não surge o trem-bala, e, diante do pavor “tatuado na alma” do avião, o jeito é me adaptar ao novo transporte rodoviário, e, dentro do possível, transmitir alguns conselhos. Veja bem, senhores empresários: se os ônibus hoje viajam com apenas a metade da lotação, por que não experimentar baixar o preço da passagem (em geral, mais caras do que as passagens aéreas) para o veículo voltar a trafegar com a lotação completa, ou quase... Acho que esse seria o primeiro ponto a se refletir. Porque para conter o atual esvaziamento, caso não surjam soluções mais práticas, só apelando para soluções mais radicais. Por exemplo: poltronas reversíveis, do tipo trem, para se gastar o tempo num longo carteado, por exemplo; cabines especiais com acústica, a prova de gritos e sussurros, para jovens casais; salão para bailes e outros eventos; tudo em prol da boa viagem do reduzido numero de passageiros que hoje em dia ainda opta pelo simpático meio de transporte de passageiros para longa distância.
São assuntos bem distintos: o primeiro, não tem como buscar soluções, a não ser entendê-lo como uma fase natural da vida! Já o segundo, há muito o que discutir. Por exemplo: Como entendermos que, a proporção que o tempo de viagem diminui (a minha primeira viagem Natal-Rio, nos anos 60, demorou 4 dias!) os passageiros desaparecem?... Hoje ela é feita, com relativo conforto, em 40 horas... é verdade que o avião faz o mesmo percurso em 4 horas apenas, sem paradas, sem o “frigorífico” que o ônibus se torna à noite que, de tão gelado, parece transportar carga de bois abatidos; sem banheiros que mais parecem brinquedos de choca-choca, a gente se desequilibrando, molhando a roupa toda... É verdade, tudo isso acontece nas longas viagens rodoviárias. Mas, tem coisas que não podem ser eliminadas, a não ser que surjam outras melhores. No caso, aqui, o trem-bala seria uma boa substituição, já pensou: Rio-Natal, no trem bala! Não acredito que chegarei a ver esse progresso no meu país...
Mas, enquanto não surge o trem-bala, e, diante do pavor “tatuado na alma” do avião, o jeito é me adaptar ao novo transporte rodoviário, e, dentro do possível, transmitir alguns conselhos. Veja bem, senhores empresários: se os ônibus hoje viajam com apenas a metade da lotação, por que não experimentar baixar o preço da passagem (em geral, mais caras do que as passagens aéreas) para o veículo voltar a trafegar com a lotação completa, ou quase... Acho que esse seria o primeiro ponto a se refletir. Porque para conter o atual esvaziamento, caso não surjam soluções mais práticas, só apelando para soluções mais radicais. Por exemplo: poltronas reversíveis, do tipo trem, para se gastar o tempo num longo carteado, por exemplo; cabines especiais com acústica, a prova de gritos e sussurros, para jovens casais; salão para bailes e outros eventos; tudo em prol da boa viagem do reduzido numero de passageiros que hoje em dia ainda opta pelo simpático meio de transporte de passageiros para longa distância.
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