"Ao fim das crônicas conheça os poemas do autor"

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sábado, 11 de dezembro de 2010

É NATAL!

Aleluia! Glória a Deus nas alturas e Paz na terra aos homens de boa vontade! É época de confraternização, de alegria; de presentes, de agito comercial e de famílias reunidas; de orações, de encontros, de presépios, de glorificarmos ao Senhor. É sempre assim, todo final de ano. E... se o nascimento de Jesus fosse festejado mais vezes, como fazem com o Carnaval, que é reprisado, com várias denominações, por todo o país... A razão da proposta? Observe o Jornal Nacional. Esse jornal que já foi o noticioso da família, discreto, tranquilo, hoje bem que poderia se chamar “Jornal Criminal”, tal a violência instalada no país, que ele diariamente noticia. E, olha que não estou me referindo apenas aos acontecimentos recentes do Morro do Alemão. Não!

Tornou-se comum assistirmos, diariamente, a crimes de arrepiar que são divulgados nos jornais televisivos, com o maior requinte da tecnologia, e com direito ao “charme” dos apresentadores que trocam olhares enigmáticos no meio de cada notícia dada, como se isso contribuísse para a sua maior autenticidade. “Charmes globais” a parte, o que assusta, realmente, é a constância de crimes bárbaros que vem acontecendo por todo o país. Maus tratos a idosos, como uma mulher de São Paulo, focalizada há poucos dias, que parecia sentir prazer no tratamento que dava a uma irmã mais velha: ela batia, esmurrava, puxava o cabelo da idosa com tamanha crueldade que era de estarrecer! E, o que dizer de uma garotinha de 8 anos sequestrada e abusada por uma irmã de 14 e seu namorado(?), um elemento com mais de 40 anos, pedindo socorro à polícia, de madrugada, com a voz trêmula mas consciente do seu drama?

Está tudo complicado. Parece que a palavra “crime” perdeu o seu significado. O desamor é grande, o culto ao dinheiro (não importa se ganho honestamente!) é assustador; o controle familiar na classe menos favorecida inexiste; e, muito precocemente meninas e meninos são levados para o crime sexual e das drogas, gerando violência familiar. Aberrações com as quais aos poucos nos familiarizamos, por estarem tão presentes nos jornais televisivos, sejam eles especializados no assunto (Datena e cia.) ou nos jornais que já não são mais modelos de sobriedade e de leveza...

Como o Natal é época de doação, de amor, não custa nada sonhar. Sonhar como seria bom se incorporássemos o espírito natalino mais vezes no ano, na busca de um mundo mais fraterno. De menos violência, menos poder do dinheiro que leva ao poder da morte. Um mundo tão sonhado pelos poetas, onde reine mais a alegria, a confraternização, a caridade, fazendo cada vez mais presente a real mensagem do menino que veio ao mundo para nos salvar!

Feliz Natal para todos!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

GUERRA DO RIO

Foi, seguramente, o meu record de tempo em frente a uma televisão. Afinal, o país tinha acabado de entrar numa guerra. Não numa Copa do Mundo qualquer, mas numa guerra pra valer, sujeita a confrontos, mortes, atos de heroísmo, enlutamento de famílias. E, o pior: o combate era entre: Brasil x Brasil. Claro que era o Brasil do Bem contra o Brasil do Mal. Neste caso, a torcida só podia ser a favor do Brasil do Bem.
À medida que o tempo passava, torcia bastante para que os traficantes se entregassem, atendendo à legislação universal sobre guerras, saindo segurando os armamentos com os braços levantados sobre a cabeça, para evitar o pior. Imaginava ver, após o ataque final, fileiras ou amontoados de cadáveres vencidos após o derradeiro confronto. A possibilidade de ver brasileiros mortos ou feridos no confronto me assustava. Eu aguardava, atento, todos os acontecimentos. O olho não se desgrudava da tela. A rendição, no entanto, não aconteceu.
No dia seguinte, por volta das 8,00 horas, lembrando grandes filmes de guerra de Hollywood, o tanque da Marinha tomou posição; soldados carregando seus fuzis seguiam “para a morte”. Eram jovens como os meus filhos, e nessa hora o peito fica mais dolorido. Foram momentos de suspense, na busca da vitória sobre o inimigo (o Brasil do Mal). Entretanto, usando de toda a sua esperteza, o exército do tráfico ali instalado, não esperou e fugiu para a mata e para o labirinto da favela que tão bem conhecia, deixando ao comandante do Bem a obrigação de proclamar uma vitória “meio vazia” mas, felizmente, sem derramamento de sangue!
A fortaleza do tráfico que eles julgavam inexpugnável caiu aos pés da força solidária do Brasil do Bem. Mas com a evacuação antecipada da praça de guerra, restou aos homens do bem a tarefa de vasculhar casa a casa da enorme favela, na busca do inimigo, de armamentos e da droga causadora da guerra.
Durante a invasão ao território inimigo, ficou-se conhecendo a grande variedade de armas e de drogas apreendidas. O luxo exibido nas mansões dos chefes do trafico era impressionante. Terrível era o domínio que esses traficantes exerciam sobre seus subordinados, e dolorosa, a decisão de pais que entregaram seus filhos para a polícia, no afã de livrá-los das drogas. Emocionante, o hasteamento das bandeiras do Brasil e do estado do Rio, após a reconquista do território, a brava a atuação das forças armadas e a solidariedade da população. Parabéns! Viva o Brasil do Bem! Viva as forças que derrotaram o Brasil do Mal!
Mas... espere aí! Se houvesse derramamento de sangue, ao fim do combate, só correria sangue brasileiro por terra. Do Bem ou do Mal, era sangue pátrio, nativo, brasileiro. Portanto, muita coisa está errada, concorrendo para essa guerra estúpida entre irmãos. É muito grande o ônus que todos nós brasileiros acabamos pagando. Principalmente os cidadãos honestos das favelas. Muita coisa precisa ser revista para que não presenciemos mais vezes guerras estúpidas como esta! Seria bom que políticos sérios – e não palhaços! – começassem a pensar no Brasil com mais seriedade e patriotismo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

FALTOU WALNIZE NA BIENAL

Minha querida Walnize Carvalho, acredito que compromissos geográficos ou familiares tenham determinado a sua ausência nesta festa fantástica que foi a VI Bienal do Livro de Campos dos Goytacazes. Por isso, tento em breve relato passar para você o que foi o acontecimento que agitou a cidade durante dez dias. Devo informar-lhe que você não foi a única da Pedralva que esteve ausente ao espetáculo. O acadêmico Amir Barbosa, por exemplo, encontra-se na Beneficência Portuguesa onde, em breve, será operado.

Mas, vamos às notícias do evento. A Bienal deste ano foi uma festa! A começar pela criançada que no afã de aproveitar o máximo a novidade, percorria a feira fazendo alvoroço pelos corredores, mais parecendo – na busca por seus primeiros livros! – um chilrear de pássaros na hora matinal do seu alimento, ou à noitinha quando retornam em bandos. Desta vez, a boa localização e a ótima estrutura implantada que cobria as duas praças em frente à catedral, tornaram bem maior a afluência do público à feira. Para você ter uma idéia, no último dia, faltando poucas horas para o encerramento, a lotação era quase total e o público super animado.

Uma atração à parte. A estátua do soldado no centro da praça (homenagem aos pracinhas brasileiros mortos na II Guerra Mundial) normalmente ignorada pelo campista que por ela cruza diariamente na sua luta pelo ganha pão, virou atração. Por ser mais alta que o teto comum da bienal ela ganhou uma espécie de cúpula que a cobria e, conforme a iluminação, reproduzia beleza toda especial.

Você, cronista e poeta como eu, iria adorar o bate-papo desses dois mestres da crônica brasileira moderna: Luiz Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura, que num humor refinado divertiram uma arena lotada de pessoas interessadas nas opiniões dos autores de “O analista de Bagé” e de “1968 - o ano que não acabou”. Falaram, dentre outras coisas, da amizade que os une e das suas esposas, com quem estão sempre viajando pelo Brasil.

Devo dizer que por estar dando uma atenção ao stand da Academia Pedralva, não tive oportunidade de assistir a todas as palestras que desejava. No entanto, conhecer “ao vivo e a cores” o pensamento de Cora Ronai, de Rui Castro, de Moacir Scliar e de Ivan Junqueira foi sensacional. Como sensacional foi trocar palavras com essa extraordinária mulher chamada Suzana Vargas, que fez de tudo na Bienal: mediou debates, lançou livro, e acima de tudo foi a curadora desse fantástico evento literário em terras campistas.

Houve falhas? Houve, sim. Num projeto gigantesco como esse seria impossível que uma ou outra não acontecesse: ausência de conferencista; carpetes levantando em determinados locais provocando tombos; sons e gritaria próximos ao Café Literário, tirando um pouco o brilho da palestra, por exemplo... Nada, no entanto, que impedisse que o evento ganhasse o entusiasmo e o aplauso da população. De parabéns, portanto, os seus organizadores

domingo, 7 de novembro de 2010

RACISMO

Qualquer forma de racismo é nociva ao ser humano. Quem se envolve com essa prática, principalmente utilizando-se desse instrumento aparentemente inocente e tranqüilo que é a Internet, ou quer aparecer, ou não tem idéia do dano que pode causar à sociedade. Estou me referindo, obviamente, à estudante (de Direito!) que apareceu na Internet culpando os nordestinos pelos males feitos a São Paulo e pelo resultado da recente eleição presidencial.

Não vi fotos dessa jovem. Pela idade, se é o caso de querer aparecer, acredito que ela teria outra maneira de fazer sucesso, a exemplo da jovem do micro-vestido cor-de-rosa de universidade paranaense, que foi selecionada para um programa televisivo e já faturou um ensaio sensual, descobrindo, assim, um modo fácil de ganhar a vida...

Se essa moça não tem idéia do que está fazendo, eu posso lhe enviar material fotográfico sobre o extermínio de judeus pelos nazistas, na II Guerra Mundial, para ela sentir o que representa essa loucura do ser humano, essa escalada do ódio contra irmãos. Não sei do grau de influência em que ela está envolvida. Talvez, as cenas dantescas a que me refiro, dependendo do que lhe vai na cabeça, até aumente o ódio pelos nordestinos, a quem ela gostaria de ver afogados, e mude de idéia para a câmara de gás... Acorda, menina!

São Paulo é muito diferente! Uma cidade que acolhe tão bem gente de todos os lugares do Brasil e do mundo de repente também produz figuras estranhas, alienadas (aparentemente, sem família e sem Deus!) querendo aparecer, fazendo o que eles julgam mais fácil: perseguir, nordestinos, negros, gays e outras minorias. Enganam-se profundamente esses grupos, engana-se a mocinha da faculdade de Direito (como agiria uma advogada com uma mentalidade dessas, hein?). Eu aconselho a pessoas ou grupos como esses, a trocarem um pouco de lugar com esses trabalhadores, acostumados desde cedo à dureza da vida. Botar o capacete e irem para as obras; suar o uniforme; buscar um significado para a sua existência. Sentir o gosto do seu salário suado no final do mês. Amar. Constituir família. Pensar em Deus.

Sinceramente, acho que o que está faltando a certas pessoas ou grupos de São Paulo é justamente isso. Desconhecendo o valor do trabalho, por comodismo ou má educação, elas se apegam a idéias radicais, extravagantes, buscando nos mais fracos(?) um motivo para aplacar as suas frustrações...

sábado, 30 de outubro de 2010

LEMBRANDO O POETA

O poeta Antonio Roberto, que nos deixou há quase dois anos, gostava, de vez quando, no comando do Café Literário, de falar esta trova: “Poeta não é somente/ quem faz verso sobre um tema/ poeta é principalmente/ quem faz da vida um poema”. Uma bela trova filosófica por ele utilizada quando queria se referir a alguém que, embora não sendo poeta, levasse a vida com lirismo.

Confesso que o meu relacionamento com ele, embora lhe devesse alguns favores literários, não era dos mais íntimos. Eu o conhecia do banco em que trabalhamos, sabia da sua fama de poeta, mas, só quando nos aposentamos é que passamos a ter mais contatos. Ele, diretor da Biblioteca Municipal, com muitas idéias na cabeça; eu, viúvo recente, buscando na literatura uma ocupação. No sub-solo do Palácio da Cultura, onde fora improvisada uma sala de aula, freqüentei junto com Walnize Carvalho, Sueli Petrucci e outros amigos amantes das letras um curso sobre Poesia, por ele ministrado.

Pouco tempo depois, ele criaria o seu Café Literário. Cheio de atrações, como era do seu feitio. Emocionante era ver a sua luta para apresentar grandes atrações a cada noite. Num dos nossos primeiros encontros, a poetisa Lysa Castro reservou a sua cadeira cativa naquela atração literária. Tão carismática quanto o poeta, ela apesar da idade avançada, enriqueceu bastante os nossos saraus com os seus versos e a sua cultura. Para mim foi uma dádiva conhecer esses dois.

Eu me lembro de dois fatos curiosos vividos por nós três. Primeiro, um revellion que deveríamos passar degustando vinho e salgadinhos na casa de Lysa, “jogando literatura fora”... O papo ia longe e pensávamos (eu e Lysa) que fosse entrar pela madrugada. Mas, a certa altura, ele foi interrompido pelo poeta dizendo que já ia, pois precisava dar atenção a D. Djanira, sua mãe que, idosa e adoentada, gostava que ele estivesse sempre por perto. E, se foi, privando-nos de uma passagem de ano muito especial... De outra feita, retornando de um encontro literário em Cambuci, já quase meia-noite, seu carro pifou próximo a Campos. A noite era chuvosa. Mas, quem disse que o poeta ficou nervoso? A sua preocupação era uma só: não atrasar muito, por causa da mãe. Felizmente, veio a ajuda e logo chegamos a Campos...

Muitas opiniões a respeito daquele poeta tranqüilo, culto, amigo, franzino na aparência, mas gigante quando entrava na seara da literatura, ainda serão emitidas. E, nada mais justo que ele seja sempre lembrado por tudo que fez pela cultura da região.

Há dois anos, na primeira reunião realizada na Academia Pedralva após a sua morte, o acadêmico Roberto Acruche, em meio a um pronunciamento inflamado, perguntou: qual o poema mais bonito deixado por Antonio Roberto? Diversas opiniões já eram ouvidas pelo salão lotado, quando ele interrompeu:

- Nenhum desses, senhores! Seu maior poema foi a sua Lição de Vida! E, não houve quem não concordasse com ele...

domingo, 17 de outubro de 2010

MISS BRASIL

Houve um tempo em que concurso de miss era uma febre nacional. Começou com Marta Rocha em 1954 e a famosa polêmica em torno das polegadas a mais, causadoras da sua derrota no Miss Universo. A bela baiana, preterida pelas polegadas que realçavam ainda mais a sua beleza anatômica, incendiou os corações brasileiros. A partir de então, a cada certame, torcidas organizadas de candidatas faziam plantão em frente ao Hotel Serrador, onde as belas se hospedavam no Rio, e chegavam ao auge do entusiasmo no Maracanãzinho, quando a vencedora era proclamada.

Hoje, sem a mesma grandeza, ele resiste mais como uma maneira de revelar belas mulheres para a televisão ou para as passarelas da moda. O mais interessante nesse concurso, foi a influência que o mesmo acabou provocando em duas idades diferentes: na infância e na terceira idade. Na infância, pais orgulhosos passaram a cumprir o desejo de filhas pequenas desembaraçadas, acompanhando-as a concursos de beleza mirim. Já na terceira idade, uma desinibição repentinamente surgida depois que elas, viúvas ou divorciadas, passaram a freqüentar os Bailes da Saudade e os Clubes da Terceira Idade, pode ter causado o interesse. Com a liberdade e a desinibição ao seu favor, senhoras da terceira idade ganharam a passarela...

Noite dessas, no Teatro Trianon, (um dos orgulhos da cidade!) com a lotação esgotada, aconteceu em Campos a eleição para Rainha da Terceira Idade. Os apresentadores deram início ao certame, convocando os jurados, passando instruções de praxe e chamando todas as candidatas ao palco para uma apresentação em conjunto, como nos áureos tempos do Miss Brasil. O teatro veio abaixo com torcidas organizadas explodindo nos mais diversos lugares dos dois amplos espaços da casa, totalmente lotados. Durante longos minutos, uma gritaria ensurdecedora irrompeu em meio a um levantar de faixas e cartazes em apoio às mais diferentes candidatas.

Num concurso onde as “misses” variavam dos 50 aos 80 anos, alguns itens do certame, teriam de ser suprimidos. O desfile em traje típico e, principalmente, o desfile em traje de banho... Dessa forma, o certame ficou por conta somente do desfile em traje de gala. Os modelos confeccionados pelas mãos mais habilidosas da cidade, ao lado do desembaraço da maioria das candidatas foi certamente um espetáculo, um luxo! Uma glória para as vovós desinibidas...

Foi com a imagem de belas candidatas em meio a outras de bengala, andando com cautela, ou dando leves tropeços, naquela noite surreal, que a gente ficou na espera do resultado. Nessa ocasião, ocorre um momento cultural entrando em cena os poetas Hilda, e depois Neguinho, distraindo a plateia com belos poemas relativos à “melhor idade”. Não demora muito e os apresentadores retornam com o resultado. A proclamação das três vencedoras, unanimidade junto à platéia, parece ter coincidido com a escolha das concorrentes que, ao final, se abraçavam alegremente. Foi uma festa diferente. Um encontro tocante. Digno da terceira ou “melhor” idade. De parabéns os organizadores!

Ponto negativo: por que se deixou de arrecadar quase uma tonelada de alimentos naquela noite? Com várias casas de caridade participando do evento de alguma forma, nada mais natural que se solicitasse um quilo de alimento não perecível a título de ingresso. Os velhinhos e as velhinhas dos asilos que não puderam vir desfilar ou torcer por suas candidatas ficariam muito agradecidos, com o reforço alimentar!...