"Ao fim das crônicas conheça os poemas do autor"

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quinta-feira, 23 de julho de 2015

CRÔNICA DO RECESSO IMERECIDO

Tentei, como cidadão brasileiro, revoltado com os graves problemas que afetam o país, discutidos diariamente nas TVs Câmara e Senado, aproveitar este imerecido recesso parlamentar: buscar coisas leves, visitar o lado lírico, sentimental da poesia... Mas, (quem falou que seria possível?!) o meu lado poético também anda revoltado com a roubalheira e com o desgoverno que aí estão. Vejam o que ele está sentindo...

A VISÃO DO APOSENTADO

A mim, me bastaria uma velhice
De paz, em que eu zelasse pelos filhos
E rezasse por aqueles mais distantes.

Para que tanta tecnologia “News”,
Se os jornais televisivos respingam
Sangue no meu rosto, o tempo todo?...

Estou carente, e meus parcos ganhos
Mal dão para as mazelas da saúde,
Que nesta idade castigam muito...

Promessas políticas são só promessas:
Aposentado não pode ir além do salário!
Só políticos e apadrinhados podem!...

A violência campeia, igual ao Cangaço.
E, há quem goste das políticas radicais
Que vão mais além, como a degola!...

A guerra fratricida da droga, aqui gerada
- “deseducados” contra “desorientados” –
Mata mais do que conflitos oficiais.

 O que, um dia, foi modelo de prosperidade
Virou engodo para ratazanas palacianas,
Que quase destruíram a nossa Petrobrás

 A esperança, a criança, o futuro, a Pátria...
Sonharemos, ainda, com um futuro radiante?
Ou confirmamos a vitória da corrupção?...

sábado, 11 de julho de 2015

O BICHO

      Ontem à tarde, voltando para casa, na entrada da vila onde moro, havia um homem mexendo nas sacolas de lixo. Eu pensei: deve ser algum catador de material reciclável, pois já abrira algumas sacolas e, verifiquei próximo a ele, uma latinha de refrigerante. Bem na sua frente, no entanto, vi algo que me deixou intrigado...
       Curioso, aproximei-me, com o intuito de lhe chamar a atenção, pedindo-lhe que quando acabasse, deixasse tudo como estava antes. Foi quando vi que, mais próximo de si, num resto de plástico branco, ele já havia separado restos de alface e rodelas de tomate, formando o material, sobre a tela branca do plástico estirada no chão, a mais intrigante pintura que eu já presenciara, trazendo-me, ainda, à mente o poema “O bicho”, de Manoel Bandeira. Aos poucos, no meio daquele resto de lixo alimentar, ele descobria mais elementos, que cheirava, escolhia, e adicionava ao “prato”... Meu Deus! Como pode acontecer isso numa cidade tão rica como a nossa! Não podia ser verdade! Mas, era.
         - Quando acabar deixe tudo como estava antes, ok?
         - Pode deixar.
         Dei dois passos em direção à casa, sem deixar de me comover com a cena vista. Separei uma cédula e, emocionado a entreguei ao infeliz.
         - Aqui para o senhor.
        Ele, agradeceu, invocando a proteção divina para mim. Emocionado, rumei para minha casa, chocado com a cena. “Meu Deus, o bicho de que falava Manoel Bandeira no seu tocante poema, existe.” Eu comprovei. Apesar das imensas riquezas nossas, muitas vezes, mal administradas ou despudoradamente dilapidadas. O pior de tudo é a gente constatar que as nossas praças atualmente estão lotadas de homem-bicho ou bicho homem que enfrentam o frio da noite nas calçadas, debaixo de velhos cobertores, e catam comida nas lixeiras, para saciar a fome. Como cristão que sou, sei que poderia inclusive tê-lo convidado para comer alguma coisa melhor do que o lixo, em minha casa. Infelizmente, outro grave problema social que nos atinge atualmente – a Violência – me impediu de fazer-lhe tal convite. Mas, a cena de ontem me chocou! Chocou tanto que não dormi direito e ao acordar estava com esta crônica pronta na cabeça.      
Há trabalhos poéticos que, de tão vigorosos, não conseguimos retirar da mente. É o caso de “O Bicho”, de Manoel Bandeira, que foi um marco na minha vida e que hoje, numa constatação bem semelhante à do poeta (acredito eu!) foi inspiração para esta crônica. Por isso, resolvi incluí-lo na mesma, para apreciação e reflexão dos leitores:

O BICHO

“Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

 O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

 O bicho, meu Deus, era um homem”.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

HISTÓRIAS PRA BOI DORMIR ou DONA DILMA E SEUS (QUASE) QUARENTA MINISTÉRIOS.

         Tudo soa falso neste governo. A começar pela história da criação do termo “presidenta” ao invés de presidente, etimologicamente, a palavra correta. A invenção da mandatária (atropelando o português!) mostrou que muitas “histórias para boi dormir” ainda viriam por aí. Uma das que mais chamou a atenção do povo, foi a da composição do seu gigantesco ministério, o que lhe valeu a comparação com outra história muito famosa  que, de alguma forma, até lembra o seu governo: “Dona Dilma e seus (quase) quarenta ministérios”...
         Como nas histórias de grandes aventuras, ela, personagem principal, precisava  mostrar exuberância no seu governo pois, revezando com o seu guru, pretendiam permanecer eternamente no poder. No entanto, apesar de constar da sua longa lista de ministérios, um do Planejamento, suas obras faraônicas e seus projetos mirabolantes quase sempre resultaram em grandes desastres econômicos.
         A popularidade da presidente começou a despencar, quando pessoas muito intimas do seu governo resolveram atacar o principal patrimônio do país, dilapidando-o como ratos no queijo, tentando se aproveitar ao máximo do dinheiro público. Por outro lado, Dona Dilma, sem priorizar o seu povo, principalmente o trabalhador que a elegeu, dá continuidade a obras herdadas do seu “guru”, beneficiando países vizinhos e simpatizantes da ideologia do seu partido. Chegam ao conhecimento público obras estranhas, com carimbo de “confidencial”, entre outras irregularidades. Com o prestigio em baixa e temendo resultado negativo, Dona Dilma, a presidente, em momento de decisão apelou: prometeu, xingou, mentiu para conquistar a vitória, pois conhecia bem o temperamento ordeiro e obediente do seu povo sofrido. Resultado: o povo iludido com o seu blábláblá demagógico para ganhar eleições, reelege a presidente.
         Depois, veio a realidade: a quase insolubilidade do país e a necessidade de apelar para economista de ideologia diferente da dela, para por as contas em dia. O arroxo financeiro oriundo de medidas saneadoras veio dificultar ainda mais a vida do trabalhador, do aposentado, da pensionista... Como não tinha como se explicar, a presidente buscou a saída que lhe restava: negociar... O apoio parlamentar dos que a apoiaram, renderam-lhes os melhores e bem remunerados cargos do governo: Ministérios, Secretarias, Segundo Escalão, etc., para apoiarem tudo o que a presidente enviasse e para deixa-la “blindada” das acusações que lhe são atribuídas... Um troca-troca, um toma lá, dá cá, promessas feitas abertamente, e prontamente aceitas por parlamentares já acostumados com esse jogo político. Assim, apoiada por explosivos, porém obedientes parlamentares, a presidente vai levando seu barco, se esforçando para evitar  um naufrágio, que pode surgir a qualquer hora.
         Esta história bem que poderia ser contada num estilo de contos infanto-juvenis, onde prevalece a coragem, a ousadia, a defesa da pátria, e da honra. Mas, infelizmente, só pode ser passada adiante como “História pra boi dormir”, com que a presidente e o seu partido abusam da paciência do povo. Até quando?  Uma coisa, porém, é certa: o estudante cheio de ideais, o trabalhador, o cidadão honesto, o aposentado, a pensionista, (por que não dizer: o povo brasileiro!), está todo o mundo de saco cheio!!!